Coesão e coerência na língua portuguesa

COERÊNCIA TEXTUAL

Imagine a seguinte situação: um casal de namorados foi ao cinema. Lá eles comeram pipoca, tomaram refrigerante, mas o filme decepcionou um pouco. Ao chegar em casa, a garota pretende contar à mãe como foi, dizendo a ela um destes dois enunciados. Compare-os:

● Foi ótimo! O filme era tão bom que todos dormiam no cinema. Além disso, durante a sessão, comemos pipoca salgada demais e o refrigerante que levamos caiu no meu vestido. Foi uma tarde maravilhosa!

● Fomos ao cinema, mas não gostamos do filme. Apesar disso, lá comemos pipoca, tomamos refrigerante e nos divertimos muito.

Como você vê, dos dois, o segundo enunciado é o que articula ideias de forma direta e objetiva, aproximando bastante o relato dos fatos do que realmente ocorreu.

O primeiro enunciado pode inicialmente parecer contraditório, absurdo em relação aos fatos, pois normalmente as pessoas não acham maravilhoso comer pipoca salgada demais, cair refrigerante na roupa, etc. Contudo, esse enunciado é perfeitamente possível, dependendo da intenção de quem fala, o locutor (no caso, a garota), das habilidades linguísticas do interlocutor, ou seja, com que se fala (a mãe) e do quanto este conhece o locutor ( a própria filha).

Por exemplo, e se a filha estiver ironizando, brincando com a mãe, ou seja, dizendo uma coisa, mas querendo dizer outra? Nesse caso, ela diz que tudo foi ótimo, mas deseja que sua mãe compreenda o contrário: tudo foi péssimo.

Assim, tanto o primeiro enunciado quanto o segundo podem se adequados e eficientes, dependendo do contexto em que são utilizados.

A coerência é uma das características que um texto deve ter para apresentar textualidade, isto é, para que seja de fato um texto e não apenas um aglomerado de frases.

COESÃO TEXTUAL

Você já aprendeu que um texto, para ter textualidade, precisa apresentar coerência. Mas isso não é tudo. Imagine que um jornal esportivo noticie a chegada de atletas brasileiros, vindos das Olimpíadas, da seguinte forma:

Dois atletas que representam o Brasil nas Olimpíadas chegaram ao aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, trazendo duas medalhas de ouro. Apesar da conquista do ouro, não havia fãs à espera dos campeões. O governador do Estado, porém, irá recebê-lo no Palácio.

O enunciado acima apresenta problemas de sentido.

O texto inicialmente faz referência a dois atletas: no entanto, na última frase, se lê: “O governador […] irá recebê-lo”. A quem o governador vai receber: os dois atletas ou apenas um? Se um atleta, qual deles? No caso, para garantir a clareza da informação, seria necessário reescrever o texto, alterando-o para uma destas soluções:

“O governador […] irá recebê-los” ou

“O governador […] irá receber o campeão de natação”.

A esse tipo de relação entre as palavras chamamos coesão.

O texto acima traz um exemplo de ambiguidade, que é a duplicidade de sentidos que pode haver em uma palavra, em uma frase ou em um texto inteiro. Quando empregada de forma intencional, a ambiguidade se torna um importante recurso de expressão, porém se for resultado da má organização das ideias, pode gerar problemas para a comunicação.

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